Das Taipas para o Mundo

A versão em papel do jornal Reflexo tem uma rubrica intitulada “Das Taipas para o Mundo”, na qual se dá a conhecer casos de taipenses que saíram da bonita vila vimaranense rumo a outras paragens. Na edição de julho foi a minha vez. Deixo aqui a transcrição do texto.

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Toda a minha vida vivi nas Caldas das Taipas, “terra onde a lua fala”, com apenas dois interregnos – primeiro na Dinamarca, onde estive a estudar por um semestre, e depois na Bósnia, onde estive um mês e meio num projeto de voluntariado. O destino, ou melhor, o programa Inov Contacto, deu-me recentemente a oportunidade de me deslocar até um enorme e díspar país da América Central, o México.

Encontro-me então na Cidade do México desde o início do ano a trabalhar numa agência de marketing digital, na qual crio e faço a gestão de campanhas no Google AdWords para as Américas. Por muito que goste do que faço não vou maçar o caro leitor com questões relacionadas com keywords, extensões de anúncios, taxa de cliques ou conversões.

O México é um país culturalmente riquíssimo, de uma beleza extraordinária, com um povo muito acolhedor, mas é também uma nação de contrates, de sociais a climáticos, e de problemas políticos e de segurança graves. Apenas tive a oportunidade de estar em 6 dos 31 estados mexicanos – à hora que lhes escrevo preparo-me para ir conhecer o sétimo, Quintana Roo – e apesar de todas as diferenças há um elemento em comum em todos eles: a amabilidade e abertura por parte das pessoas.

Viver na Cidade do México é uma experiência incrível, capaz do melhor e do pior. Vivem cá cerca de 20 milhões de pessoas, coisa pouca, e o crescimento da cidade claramente não foi planeado. Há um desrespeito estúpido pelas regras de trânsito, pois cá não há aulas de código ou condução, e atravessar uma passadeira é um desafio enorme! A cidade não descansa e o seu ritmo, aliado com a altitude, poluição e desordenamento, deixam qualquer um de rastos. Em condições normais é impossível circular de carro em horas de ponta – utilizo bicicleta ou metro (alguém falou em caos?) – mas quando chove a situação atinge o impensável. Já me aconteceu mais que uma vez ter de esperar uma a duas horas para sair do escritório porque as estradas se transformaram em autênticos rios.

No entanto, a cidade compensa largamente com outras questões, nomeadamente a nível cultural e social. Rezam as crónicas que é a cidade do mundo com mais museus e desde que cá estou tenho a sensação (bem real) de que estou constantemente a perder eventos super interessantes – 24h por dia são claramente insuficientes.

A facilidade com que se conhece pessoas novas e se trava amizades facilita imenso a estadia cá. Há uma grande comunidade estrangeira, principalmente na jovem e bonita zona onde vivo, La Condesa. O país é lindo e a nível social é muito interessante de analisar. Qualquer pequena coisa do quotidiano, como uma ida para o trabalho de metro, dava uma rica curta-metragem. Apesar das saudades, naturais, de família e amigos, estou “muy a gusto” e verdadeiramente encantado com o México.

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